segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Máquina de Carne

Lembro-me do dia em que
a máquina olhou-me,
tão viva parecia,
e quente
e colorida
e sequiosa,
que me ofuscou!
Senti-me esmagado
pelos olhos que não mais são duros
nem secos
nem fundos
nem inanes...

Como pode tão deserta alma
amedrontar-me?
Pode um robô curar-se?
Pode um robô curar-me?

Soa o alarme:

NÃO! NÃO! NÃO!

Oh! Tórrida contradição
um autômato não adoece!
Como sarar algo
que de tão implícito explode?

ELE sara,
mas de robô não passa!

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