sexta-feira, 18 de março de 2011

Leve

Escutem, em silêncio, essa confissão tardia. Tenho uma grave mania, um sério e intenso vício de jamais querer minhas mãos vazias. Até mesmo a luz da Lua que me cerca eu busco agarrar, mas ela, medrosa e ensaboada que é, foge levada e corre ao meu redor e brinca de pegar.
Emudeço perplexo enquanto um velho amigo mostra-me coisas tão quadradas, tão minhas, mas agora tão alheias, que me espalham ao chão. Talvez o estrondoso silêncio de um sorriso ainda amoleça minhas pernas, inunde meus olhos e faça brotar a erva verde em meu solo, fértil e sedento de toda busca sem culpa pela polpa pura da verdadeira fruta. Estou pronto pra ser belvedere e deixar as portas se abrirem a partir de mim.
Leve.
É assim que me sinto. É assim que me sento sozinho nos bancos molhados de sereno ou no assento do ônibus lotado.
Leve.
É assim que me sinto. É esse meu alento!