queria morar na rua
para não me preocupar em fechar as portas de casa...
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Metáfora de pele
eu quero medos para roer, como quem rói os ossos da zebra cansada
e quero ideias para beber, como quem bebe do seio da mãe adorada.
o resto são metáforas pequenas.
e quero ideias para beber, como quem bebe do seio da mãe adorada.
o resto são metáforas pequenas.
Otariologia
Hoje acordei
lentamente e ao abrir os olhos, fui pego de assalto!
(sou de Oitenta e Um!
escorpião nato, não creio em
horóscopo, eu ando sozinho!).
Parei um
instante, senti meus calos, tirei as botas
e corri descalço a noite toda.
Sem astrologia
ou destino. Sem orar e sem olhar à hora.
Porque não
dançar com Deus?
Porque não ser
otário ou idiota?
Porque não
queimar seu salário, e colá-lo depois?
Porque não
mostrar a bunda na janela?
Minhas cuecas?
Há muito as joguei porta afora...
Agora, poucas coisas me prendem, a
constar, de momento:
os beijos dela,
o brinde que desce
pela goela
e a música porta
adentro!
Paganismo descarado
As autoridades do vaticano têm o poder de criar seus santos. Acham que são
deuses.
E Zeus não fala nada?
Seja feita a vossa vontade
O livre arbítrio é um conceito usado para justificar a maldade humana.
Os deuses e eu não temos nada a ver com isso.
Os deuses e eu não temos nada a ver com isso.
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
O Máquina
todo dia
mesmas coisas
mesmas caras
mesmas roupas
sete horas
bunda banco asfalto
sol no rosto
ferro quente
lava as mãos
tranca a porta
bunda banco asfalto
senta
come
mesmas caras
bunda banco asfalto
ferro quente
mesmas caras
tranca a porta
lava as mãos
bunda banco asfalto
sol no rosto.
tudo em volta
passa o tempo
eterna cara
eterna tara
todo dia.
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
A vela
I
I I
I I I
I I
I
I
VELA
VELA
VELA
VELA
VELA
VELA
VELA
VELA
VELA
VELA
VELA I
VELA I I
VELA I I I
VELA I I
VELA I
VELA VELA
VELA VELA
VELA VELA
VELA VELA vê-la, apenas um toco de
esperança...
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Viver
Deixei de ser caranguejo e
virei de frente pra vida.
Bati no peito e dei o peito pra bater.
Resolvi viver de fora pra dentro
deixar o vento tecer suas tramas e
me descabelar
e quando percebi, estava sentindo tanto,
que olhei-me no espelho e meus olhos,
aos prantos, me pediram pra parar.
-A vida foi feita pra sorrir, não pra chorar, gritaram! -as lágrimas
são um acidente (necessário),
usado pra podermos, todo dia, voltar a sorrir e a sonhar!
Então cessa! ou morreremos afogados em tanta tristeza e pesar,
e jamais verá novamente a incondicional beleza
de um amor nascer
nem sentirá a urgência da paixão chegar,
nem o prazer e o tesão de se despir e se entregar!
Pois que parei.
Enxuguei meu corpo,
embebedei minha´lma
embebi teu corpo em poesia e ateei fogo
me fiz a regra, a trapaça, e o jogo,
como um todo, fez-me vencedor!
Então, calma! pois tudo que sobra
tudo que falta
tudo que brilha
e tudo que mata,
depois dessa longa noite,
vem do perfume, puro e devasso,
do amor...
virei de frente pra vida.
Bati no peito e dei o peito pra bater.
Resolvi viver de fora pra dentro
deixar o vento tecer suas tramas e
me descabelar
e quando percebi, estava sentindo tanto,
que olhei-me no espelho e meus olhos,
aos prantos, me pediram pra parar.
-A vida foi feita pra sorrir, não pra chorar, gritaram! -as lágrimas
são um acidente (necessário),
usado pra podermos, todo dia, voltar a sorrir e a sonhar!
Então cessa! ou morreremos afogados em tanta tristeza e pesar,
e jamais verá novamente a incondicional beleza
de um amor nascer
nem sentirá a urgência da paixão chegar,
nem o prazer e o tesão de se despir e se entregar!
Pois que parei.
Enxuguei meu corpo,
embebedei minha´lma
embebi teu corpo em poesia e ateei fogo
me fiz a regra, a trapaça, e o jogo,
como um todo, fez-me vencedor!
Então, calma! pois tudo que sobra
tudo que falta
tudo que brilha
e tudo que mata,
depois dessa longa noite,
vem do perfume, puro e devasso,
do amor...
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
De Súbito
De súbito teu cheiro fez-se laço,
atando sutilmente meus braços
e como algemas, prendeu meu desejo a teu corpo,
e agora perco-me no doce ávido e ácido da tua
saliva.
Desejo e exploro tua boca e teu beijo,
jogo fora o medo e ouso,
sugo teus seios,
e tua barriga faz-se campo de febril e inquieto
repouso...
e como borboleta, tremendo ao manso sopro
do vento, voo a ti e sinto-me morrendo,
esfriando e esvaecendo,
a cada segundo da tua letal ausência...
atando sutilmente meus braços
e como algemas, prendeu meu desejo a teu corpo,
e agora perco-me no doce ávido e ácido da tua
saliva.
Desejo e exploro tua boca e teu beijo,
jogo fora o medo e ouso,
sugo teus seios,
e tua barriga faz-se campo de febril e inquieto
repouso...
e como borboleta, tremendo ao manso sopro
do vento, voo a ti e sinto-me morrendo,
esfriando e esvaecendo,
a cada segundo da tua letal ausência...
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Altar profano
Quem suja o altar recebe
castigo do santo?
Que sabão usar para limpar o
chão da igreja?
Como purificar o pé que pisou
o mármore e o ouro?
um santo criado
outro santo esquecido.
(afinal, a fé é morte ou nascedouro?).
Uma oração não feita Um anjo sem asas
Santos cênicos e seitas Um deus empedernido
pastores crentes no poder de
sua lábia
guiando ovelhas cegas
sujando nossa água
ajoelha reza
implora
chora
e nega
O mítico está longe!
Vamos celebrar a divindade
humana
Quebra o pedestal e desce Seja lama
Vamos fabricar um milagre?
vem comigo, sentir o brilho da
mais nova flor que
nasce...
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
O Vertical
O puro
O devasso
O farto
O sempre
O anjo
O tombo
O corte
O alma
O demente.
Linha
reta
não
existe.
Zig-zag
Zig-zag
Zig-zag
Zig-zag
Zig-zag.
O devasso
O farto
O sempre
O anjo
O tombo
O corte
O alma
O demente.
Linha
reta
não
existe.
Zig-zag
Zig-zag
Zig-zag
Zig-zag
Zig-zag.
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
sexta-feira, 22 de julho de 2011
gozo nº1 - Poema classificado no 1º Concurso Nacional de Novos Poetas - Prêmio Augusto dos Anjos
enquanto muitos se masturbam, escondidos em seus quartos,
nós fodemos, livres e límpidos...
e quantos vestem a camisinha
enquanto nós gozamos dentro?
enquanto rimos, inebriados pelo vinho doce
de nossas almas,
muitos derramam mares de um ócio esfumaçado
e vestem pele de urso em pleno verão.
enquanto pintamos cada dia com uma nova tinta,
muitos se debruçam sobre a geometria dura e insossa do cotidiano...
enquanto os olhos da indiferença extrapolam o horizonte,
nós quebramos os espelhos e,
de minuto em minuto,
desenhamos caminhos
cada vez mais nobres,
cada vez mais densos.
enquanto deslizamos por verdades paralelas
brilham reflexos estranhos de um mundo míope...
enquanto muitos dançam, em seu balé frívolo e inflexível,
nós nos deixamos levar, sem pudor,
e cantamos de garganta aberta e rouca.
enquanto dormimos, sob a luz dos vaga-lumes
e invadimos as ruas de um mundo estranhamente limpo e
enquanto a Lua banha nosso sono,
a espuma rola ao ralo.
qual o sabonete da alma?
segunda-feira, 27 de junho de 2011
Cinto de Insegurança!
Alguns anos de boemia me levaram a crer que
existem somente dois tipos de pessoas:
as que seguram as calças
e as que deixam as calças caírem...
existem somente dois tipos de pessoas:
as que seguram as calças
e as que deixam as calças caírem...
quinta-feira, 14 de abril de 2011
sexta-feira, 18 de março de 2011
Leve
Escutem, em silêncio, essa confissão tardia. Tenho uma grave mania, um sério e intenso vício de jamais querer minhas mãos vazias. Até mesmo a luz da Lua que me cerca eu busco agarrar, mas ela, medrosa e ensaboada que é, foge levada e corre ao meu redor e brinca de pegar.
Emudeço perplexo enquanto um velho amigo mostra-me coisas tão quadradas, tão minhas, mas agora tão alheias, que me espalham ao chão. Talvez o estrondoso silêncio de um sorriso ainda amoleça minhas pernas, inunde meus olhos e faça brotar a erva verde em meu solo, fértil e sedento de toda busca sem culpa pela polpa pura da verdadeira fruta. Estou pronto pra ser belvedere e deixar as portas se abrirem a partir de mim.
Leve.
É assim que me sinto. É assim que me sento sozinho nos bancos molhados de sereno ou no assento do ônibus lotado.
Leve.
É assim que me sinto. É esse meu alento!
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Chá das Quatro
Ao meu lado os deuses se sentem em casa...
sentam-se no sofá da sala e ali, descalços,
brindamos às coisas fúteis, afinal,
eles estão fartos
de orações inúteis,
de bajulações,
do choro ralo e
do barulho dos trovões.
Eles tão grandes.
Eu, ainda tão pequeno.
Não posso viver de luz!
(mas que chato seria se assim fosse!)
Eu quero apertar a mão de Baco,
presenteá-lo com goles do meu vinho e,
sentado à mesa, quebrar as taças!
Quero cair sozinho em tentação...
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
ácido
a laranja moída para o suco ou
o limão provado puro?
a acidez de antes misturou-se a algumas
risadas...
um sonho doce? bobagem infinita.
tudo é apenas produto de um sarcasmo inacabado.
do marasmo, embalado e travestido
com casca e fita no cabelo...
tudo é fruto de uma acre essência e
do gosto amargo das sementes.
afinal,
nossa cegueira é uma estrada
de mão única?
Bifurcações, buracos e muita luz!
nosso sangue, acreditem, não é catchup!
(e sua vida, é uma tela de TV ou uma tela fovista?)
você é o suco ou o bagaço
da fruta?
e o que é pior,
enganar o outro ou ser o outro e deixar-se enganar?
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
De que adianta?
De que adianta,
De que adianta,
foder com a vida,
comprar prazer
e pagar pra ser o que não se é?
comprar amor,
quando não existe amor-próprio,
e pagar pra poder ter fé?
De que adianta,
foder com a vida,
e não satisfazer a quem se ama?
fitar os outros,
e não saber a cor dos próprios olhos?
De que adianta,
cuspir de nojo
e limpar as feridas com a própria saliva?
beber do cocho
e marcar a ferro seu gado?
fugir de casa,
quando o problema está no peito?
De que adianta?
ser cópia,
se, no final, o único é a única coisa que fica?
adiantar o relógio
e viver em um pleno e cego atraso?
sair perfumado
e ter um lar sujo e fétido?
ver o Luar
e não sentir o brilho da esposa?
ser moça
e gozar sempre sozinha?
tocar a superfície,
se o poder está âmago?
De que adianta?
cobrar do outro
e deitar despreocupado na lama?
e estar em dívida consigo mesmo?
ser chefe de restaurante
e deixar o arroz queimar em casa?
curar o peito,
se tudo à sua volta está doente?
De que adianta?
fingir-se de santo,
se o Éden te espera a cada esquina?
fingir-se de manco,
quando podes pular de salto?
fingir-se de herói,
se a heroína te dita as regras?
afogar-se na piscina,
se podes beber, de um gole, o mar?
De que adianta?
recostar,
se podes contestar?
deprimir,
se podes excitar?
De que adianta um mundo à sua frente,
se há um buraco ao seu lado?
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Provocar
Provocação provoca ação.
se não provocar, será um barato parar
basta você virar uma barata tonta de bar
cheirar Baygon pra dar barato e
Ploft!
te pisaram!
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Brancas Nuvens
Do caos ao riso. Do êxtase ao abismo.
Bamboleando em brancas nuvens
gasto o fluído de meu isqueiro e de meu corpo.
Minha barba amontoa-se
em incertas e desordenadas camadas.
Não é pele, não é pelo.
Uma nova e confusa massa é minha cara.
O arlequim de antes tornou-se deveras débil!
(já não festeja).
Fim de festa!
Do meu baile sobraram máscaras
debaixo da mesa
na geladeira
sob a cama
e na privada.
Faces que explodem
Faces que encolhem
Elas, e somente elas,
saltitam, deliram, enjoam, enguiçam
misturando-se num confuso
e barulhento liquidificador de “eus”.
Hoje um, amanhã outros. Sempre estranhos.
Acolho-os em mim e corrompo-os.
Do sopro ao furacão
Do grito ao sufoco
sussurros...cochichos...segredos...
Eu posso tudo! Eu posso nada!
Eu cavo, cavo, cavo, CAVO!
Onde estou que não me encontro?
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
poema do pequeno doido
se tivesse
eu mesma cara
pra bater
na cara mesma boca
inchada
olho inchado
Bato Bato
de serrote
de sapato
puxa orelha do arteiro
puxa no escuro
que eu dorme bem
no mais escuro
que dá pra ficar
no canto do quarto tem um
Bi-Chi-Nho!
enganado pelo chefe
que dorme como um
qualquer pessoa
Parada Cansada Enjoada Enojada
enfim quieto inquieto eu
aranha morde dedo
que esmaga aranha
esconde cara a cara minha
e
depois a tua
mostra
pra mim bater.
morder monstro vira monstro
curar monstro fica santo.
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
Olhar
Da fresta olhos torvos olham-me.
(meus cantos sujos à mostra).
Fechem a porta!
Deixem-me invisível, entre as estantes, deixa-me!
Deixem-me exalar o mofo de minhas páginas viradas
Deixem-me secar o suor morno de meu corpo desnudo.
Teus olhos tornam-me ser lacunoso
martelam,
quebram,
Fazem-me pedaço de um espelho irreflexo.
Deixem-me! Mãos cruas!
cavar meus buracos,
erguer meus muros,
juntar meus cacos.
Deixem-me recôndito, párvulo, pálido...
Fechem a porta! Fechem olhos! Fechem-me!
Deixem correr meu pranto seco, meu pranto mudo.
Deixem o caco fosco, o palerma, o insosso
Imergir
no corpo abismo
no corpo cela.
Deixem o mundo alheio ao mundo.
Deixem explodir em mim o mais profundo e solitário grito!
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