sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Antídoto

A todo tempo alguém tenta curar
a caretice,
o câncer,
a carência.
As cinzas do cigarro,
agora,
não são somente cinzas
e o remédio pra tudo isso
não ataca apenas as células doentes.
Os retalhos de sanidade que ainda me restam
não cobrem mais meu corpo;
a loucura bate à porta,
eu pulo nu pela janela;
no jardim,
pétalas de rosa cobrem os buracos
e eu voo sobre a grama verde, azul, laranja e rosa.

na esquina, às costas do harpista,
a criança cata lixo, a madame tosa o cão.
O vento joga longe a fumaça e me derruba;

de joelhos, nas linhas e entrelinhas de cada oração,
sinto que muito do que é tão caro no céu,
no inferno é de graça;
sinto que minha cura é tua doença
e meu auge, tua desgraça.

A todo tempo o tempo nasce.
A todo tempo um cinzeiro é limpo.
A todo tempo alguém
floresce,
ama,
renasce.

                       a todo tempo alguém cura... e voa!



quarta-feira, 21 de março de 2012

Post Mortem

e o mais triste, depois da morte,
é não poder ouvir o som das lágrimas,
como pedras, caindo sobre o caixão...