Da fresta olhos torvos olham-me.
(meus cantos sujos à mostra).
Fechem a porta!
Deixem-me invisível, entre as estantes, deixa-me!
Deixem-me exalar o mofo de minhas páginas viradas
Deixem-me secar o suor morno de meu corpo desnudo.
Teus olhos tornam-me ser lacunoso
martelam,
quebram,
Fazem-me pedaço de um espelho irreflexo.
Deixem-me! Mãos cruas!
cavar meus buracos,
erguer meus muros,
juntar meus cacos.
Deixem-me recôndito, párvulo, pálido...
Fechem a porta! Fechem olhos! Fechem-me!
Deixem correr meu pranto seco, meu pranto mudo.
Deixem o caco fosco, o palerma, o insosso
Imergir
no corpo abismo
no corpo cela.
Deixem o mundo alheio ao mundo.
Deixem explodir em mim o mais profundo e solitário grito!
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