quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Chá das Quatro

Ao meu lado os deuses se sentem em casa...
sentam-se no sofá da sala e ali, descalços,
brindamos às coisas fúteis, afinal,
eles estão fartos
de orações inúteis,
de bajulações,
do choro ralo e
do barulho dos trovões.

Eles tão grandes.
Eu, ainda tão pequeno.
Não posso viver de luz!
(mas que chato seria se assim fosse!)

Eu quero apertar a mão de Baco,
presenteá-lo com goles do meu vinho e,
sentado à mesa, quebrar as taças!

Quero cair sozinho em tentação...
                                               
                                             ...mas e o deuses, cairão?

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

ácido

a laranja moída para o suco ou
o limão provado puro?

a acidez de antes misturou-se a algumas
                                                       risadas...
um sonho doce? bobagem infinita.
tudo é apenas produto de um sarcasmo inacabado.
        do marasmo, embalado e travestido
                    com casca e fita no cabelo...
tudo é fruto de uma acre essência e
        do gosto amargo das sementes.

afinal,
nossa cegueira é uma estrada
                      de mão única? 

Bifurcações, buracos e muita luz!

nosso sangue, acreditem, não é catchup!
(e sua vida, é uma tela de TV ou uma tela fovista?)

você é o suco ou o bagaço
                           da fruta?

e o que é pior,
enganar o outro ou ser o outro e deixar-se enganar?

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

De que adianta?

De que adianta,

comprar prazer
e pagar pra ser o que não se é?

comprar amor,
quando não existe amor-próprio,
            e pagar pra poder ter fé?


De que adianta, 


foder com a vida,
e não satisfazer a quem se ama?

fitar os outros,
e não saber a cor dos próprios olhos?

De que adianta,

cuspir de nojo
e limpar as feridas com a própria saliva?

beber do cocho
e marcar a ferro seu gado?

fugir de casa,
quando o problema está no peito?

De que adianta?

ser cópia,
se, no final, o único é a única coisa que fica?

adiantar o relógio
e viver em um pleno e cego atraso?

sair perfumado
e ter um lar sujo e fétido?

ver o Luar
e não sentir o brilho da esposa?

ser moça
e gozar sempre sozinha?

tocar a superfície,
se o poder está âmago?

De que adianta?

cobrar do outro
e deitar despreocupado na lama?
e estar em dívida consigo mesmo?

ser chefe de restaurante
e deixar o arroz queimar em casa?

curar o peito,
se tudo à sua volta está doente?

De que adianta?

fingir-se de santo,
se o Éden te espera a cada esquina?

fingir-se de manco,
quando podes pular de salto?

fingir-se de herói,
se a heroína te dita as regras?

afogar-se na piscina,
se podes beber, de um gole, o mar?

De que adianta?

recostar,
se podes contestar?

deprimir,
se podes excitar?

De que adianta um mundo à sua frente,
                                    se há um buraco ao seu lado?