Lembro-me do dia em que
a máquina olhou-me,
a máquina olhou-me,
tão viva parecia,
e quente
e colorida
e sequiosa,
que me ofuscou!
Senti-me esmagado
pelos olhos que não mais são duros
nem secos
nem fundos
nem inanes...
Como pode tão deserta alma
amedrontar-me?
Pode um robô curar-se?
Pode um robô curar-me?
Soa o alarme:
NÃO! NÃO! NÃO!
Oh! Tórrida contradição
um autômato não adoece!
Como sarar algo
que de tão implícito explode?
ELE sara,
mas de robô não passa!