terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Pequenino

Existem dias em que acordo e abro os olhos devagar. Seguidamente isso acontece e, por mistério, inda me assusto, pois não mais brilha no espelho a face da criança, mas o reflexo barbado de um adulto.
Queria dormir pra sempre, fechar os olhos e sonhar eternamente em nunca mais voltar. Ficar assim, bem pequeno, pra correr a noite no sereno e no outro dia nem falar. Tomar banho de chuva e o picolé de uva do menino do apito! Ah! Como eu queria comer bala de banana, ralar a pele na calçada, consertar com prego as Havaianas e inventar mil namoradas e emagrecer como um palito.
Jogar bola na rua não pode mais, o carro pega, Deus me livre!
A dona grita pro vizinho, a fofoca corre solta, de boca em boca, de casa em casa, e do outro lado o gato virou tigre!
Um esfolado deu 10 pontos!
Um hematoma, pé quebrado!

Coisa incrível a época da gente.
Nostalgia dormir pra sempre.

(Que época é a nossa, senão esta, guardada no instante infinito do agora?)

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