Horas insanas
Retornam
Param
Correm
Horas, doidivanas.
Assim seguem, dias e noites, infindos. Meu tempo passa de um modo estranho, tempo guardado na despensa do tempo; tempo, dono mofado de engrenagens sem encaixe, de relógios sem pulso, ponteiros ou paredes.
A explosão, a expulsar-me de mim, falha. Seus destroços inversos talham celas, muralhas de carne.
Há quanto meu grito não é ouvido?
Há quanto não me faço ouvir?
Pois que um frêmito varre minha garganta, a pulsão das lágrimas abraça o sorriso âncora. O abismo engole-me vorazmente e o pavio lasso já não incendeia essa pólvora velha, embebida em tons de um cinza inerte e inane.
Em meu retrato apenas uma estúpida cara, a face de um país sem hino, de um território sem mapa; um corpo com uma corcunda que já não esconde asas...
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