quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

O Prisma

Olha o espelho que te olha
Nem um olhar é igual
O espelho é um
O espelho é mil
O espelho na parede é um retrato mutante

Olhar passado Olhar cansado Olhar atraso

No espelho vário um espelho outro
No espelho porta o caminho torto
Uma máscara vista jamais se repete
Na frente do espelho-seio-colo-jaula
O abrigo de uma cara sem reprise

Veja teu mundo Vejo meu mundo

Um mesmo chão é sempre um chão volúvel

A cada passo A cada cuspe A cada queda
Muda o pó em lama
Muda o corpo em caco
Mudo o opaco e ofusca.

O chão-espelho imprime a imagem
Do rosto que raspa a terra!

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