quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Viver - Menção Honrosa no XV Concurso Nacional de Poesias "Álvares de Azevedo"


Deixei de ser caranguejo e
virei de frente pra vida.
Bati no peito e dei o peito pra bater.
Resolvi viver de fora pra dentro
deixar o vento tecer suas tramas e
                               me descabelar
e quando percebi, estava sentindo tanto,
que olhei-me no espelho e meus olhos,
aos prantos, me pediram pra parar.
-A vida foi feita pra sorrir, não pra chorar - gritaram!
-As lágrimas são um acidente (necessário),
usado pra podermos, todo dia, voltar a sorrir e a sonhar!
Então cessa! ou morreremos afogados em tanta tristeza e pesar,
e jamais verá novamente a incondicional beleza 
                                            de um amor nascer
nem sentirá a urgência da paixão chegar,
nem o prazer e o tesão de se despir e se entregar!

Pois que parei. 
Enxuguei meu corpo,
embebedei minha´lma
embebi teu corpo em poesia e ateei fogo
me fiz a regra, a trapaça, e o jogo, 
como um todo, fez-me vencedor!

Então, calma! pois tudo que sobra
                               tudo que falta
                              tudo que brilha
                            e tudo que mata,
depois dessa longa noite,
vem do perfume, puro e devasso,

                                     do amor... 

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Antídoto

A todo tempo alguém tenta curar
a caretice,
o câncer,
a carência.
As cinzas do cigarro,
agora,
não são somente cinzas
e o remédio pra tudo isso
não ataca apenas as células doentes.
Os retalhos de sanidade que ainda me restam
não cobrem mais meu corpo;
a loucura bate à porta,
eu pulo nu pela janela;
no jardim,
pétalas de rosa cobrem os buracos
e eu voo sobre a grama verde, azul, laranja e rosa.

na esquina, às costas do harpista,
a criança cata lixo, a madame tosa o cão.
O vento joga longe a fumaça e me derruba;

de joelhos, nas linhas e entrelinhas de cada oração,
sinto que muito do que é tão caro no céu,
no inferno é de graça;
sinto que minha cura é tua doença
e meu auge, tua desgraça.

A todo tempo o tempo nasce.
A todo tempo um cinzeiro é limpo.
A todo tempo alguém
floresce,
ama,
renasce.

                       a todo tempo alguém cura... e voa!



quarta-feira, 21 de março de 2012

Post Mortem

e o mais triste, depois da morte,
é não poder ouvir o som das lágrimas,
como pedras, caindo sobre o caixão...

terça-feira, 8 de novembro de 2011

quase um mendigo

                                                queria morar na rua
para não me preocupar em fechar as portas de casa...

Tente Rir!

quem tapa o Sol com a peneira fica bronzeado em xadrez...

Metáfora de pele

eu quero medos para roer, como quem rói os ossos da zebra cansada
  e quero ideias para beber, como quem bebe do seio da mãe adorada.
                                                          o resto são metáforas pequenas.