terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Provocar

Provocação provoca ação.

se não provocar, será um barato parar
       basta você virar uma barata tonta de bar 
    cheirar Baygon pra dar barato e
                                   Ploft!
                                 te pisaram!

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Brancas Nuvens

Do caos ao riso. Do êxtase ao abismo.

Bamboleando em brancas nuvens
gasto o fluído de meu isqueiro e de meu corpo.
Minha barba amontoa-se
em incertas e desordenadas camadas.
Não é pele, não é pelo.
Uma nova e confusa massa é minha cara.

O arlequim de antes tornou-se deveras débil!
                                              (já não festeja).

Fim de festa!
Do meu baile sobraram máscaras
debaixo da mesa
na geladeira
sob a cama
e na privada.

Faces que explodem
Faces que encolhem
Elas, e somente elas,
saltitam, deliram, enjoam, enguiçam
misturando-se num confuso
e barulhento liquidificador de “eus”.

Hoje um, amanhã outros. Sempre estranhos.
Acolho-os em mim e corrompo-os.

Do sopro ao furacão
Do grito ao sufoco
sussurros...cochichos...segredos...

Eu posso tudo! Eu posso nada!
Eu cavo, cavo, cavo, CAVO!
Onde estou que não me encontro?

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

poema do pequeno doido

se tivesse
eu mesma cara
pra bater
na cara mesma boca
inchada
olho inchado
Bato  Bato
          de serrote
          de sapato
puxa orelha do arteiro
puxa no escuro
que eu dorme bem
no mais escuro
que dá pra ficar
no canto do quarto tem um
                          Bi-Chi-Nho!

enganado pelo chefe
que dorme como um
qualquer pessoa
Parada  Cansada  Enjoada  Enojada
enfim quieto inquieto eu
aranha morde dedo
que esmaga aranha
esconde cara a cara minha
e
depois a tua
mostra
pra mim bater.

morder monstro vira monstro
curar monstro fica santo.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Noturnidade

A noite jamais sentiu o toque de pé algum. 
                                           Nela, voa-se!

iguais

o gado solto
o impudico gado, omisso e alheio ao ferro quente,
não sente sua baba escorrer.


quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Olhar

Da fresta olhos torvos olham-me.
                              (meus cantos sujos à mostra).
Fechem a porta!
Deixem-me invisível, entre as estantes, deixa-me!
Deixem-me exalar o mofo de minhas páginas viradas
Deixem-me secar o suor morno de meu corpo desnudo.

Teus olhos tornam-me ser lacunoso
martelam,
quebram,
Fazem-me pedaço de um espelho irreflexo.

Deixem-me! Mãos cruas! 
cavar meus buracos,
erguer meus muros,
juntar meus cacos.

Deixem-me recôndito, párvulo, pálido...

Fechem a porta! Fechem olhos! Fechem-me!

Deixem correr meu pranto seco, meu pranto mudo.
Deixem o caco fosco, o palerma, o insosso
Imergir
no corpo abismo
no corpo cela.
Deixem o mundo alheio ao mundo.
Deixem explodir em mim o mais profundo e solitário grito!