a
caretice,
o câncer,
a
carência.
As cinzas
do cigarro,
agora,
não são
somente cinzas
e o
remédio pra tudo isso
não ataca
apenas as células doentes.
Os
retalhos de sanidade que ainda me restam
não cobrem
mais meu corpo;
a loucura
bate à porta,
eu pulo
nu pela janela;
no
jardim,
pétalas
de rosa cobrem os buracos
e eu voo
sobre a grama verde, azul, laranja e rosa.
na
esquina, às costas do harpista,
a criança
cata lixo, a madame tosa o cão.
O vento
joga longe a fumaça e me derruba;
de
joelhos, nas linhas e entrelinhas de cada oração,
sinto que
muito do que é tão caro no céu,
no
inferno é de graça;
sinto que
minha cura é tua doença
e meu
auge, tua desgraça.
A todo
tempo o tempo nasce.
A todo tempo um cinzeiro é limpo.
A todo tempo alguém
A todo tempo alguém
floresce,
ama,
renasce.
a todo
tempo alguém cura... e voa!