terça-feira, 30 de novembro de 2010

O rebento

A mesa de um boteco, uma boa conversa, algumas taças de vinho, um primeiro beijo.
Tudo isso pode levar-nos a muitos lugares.
Leva-nos pra casa, leva-nos ao motel, leva-nos ao “boa noite” e pode levar-nos também a um “tchau e nunca mais”.
O olhar abrirá o caminho.
O outro dia levará você a andar ansioso de um lado pro outro.
Colocará o telefone sempre à sua frente e, de voz trêmula e encabulada, você ligará, doido de vontade de jogar a paciência pela janela e se dar, num ímpeto desregrado de paixão... Mas calma, foi o primeiro encontro! Calma? Pra quê? Não se deixa passar algo assim!
Quando a boca encaixa na boca, quando os braços se montam no abraço, como um quebra-cabeça de duas peças somente, sem encaixe em outro, somente meu corpo no teu corpo.
Algo assim não pode passar!
Quando a vida se resume ao alô, ao caminho até ela, ao próximo olhar, fique certo: algo está nascendo!
Abra as portas e estenda o tapete vermelho.
Ele faz-nos mudar o rumo.
Faz de duas uma só estrada.
Os pensamentos não mais nos pertencem.
Os sonhos agora são outros. São teus!
Olho o relógio. Não virei às folhas do calendário e os dias se misturam.
Onde vamos parar?
Não sejamos apressados, deixa que os segundos nos respondam, pois o amor aumenta com o tempo, mas nasce no singular instante de um olhar!

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