quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Canto

Nessa folha branca, iluminada pelo Sol
não quero versos doces.
Minha caneta é preta e a doçura é a mais inútil forma de preencher lacunas.
Eu tremo e rabisco!
Eu desafino sem medo das vaias!
Eu roubo vozes e gritos!

Siga-me no meu canto e sorria!

Eu canto à loucura, ao amor e a lisergia.
Eu canto ao gole manso da cachaça e ao vômito
do bêbado
Eu canto à quebra de enredo e ao tombo da escada
Eu canto à cabeça erguida e ao olhar pro umbigo
Eu canto ao abraço do amigo e a beata calada
Eu canto à bandeira-coração e a risada florida
Eu canto à prestação vencida e ao vermelho da alvorada
Eu canto à nossa despedida e à construção da nova estrada
Eu canto ao canto escuro do porão de casa
Eu canto ao discurso do mudo
Eu canto ao cuspe e ao susto
e
à piada gozada
à puta fodida
à dor de barriga
à fé distorcida
à doença curada
à paixão inventada
à punheta frustrada
à vista embaçada
à mente remoçada...
eu canto à palavra dita, que ecoa por toda vida
e deflagra o sim, o não, o tudo e o nada!

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