quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Viver - Menção Honrosa no XV Concurso Nacional de Poesias "Álvares de Azevedo"


Deixei de ser caranguejo e
virei de frente pra vida.
Bati no peito e dei o peito pra bater.
Resolvi viver de fora pra dentro
deixar o vento tecer suas tramas e
                               me descabelar
e quando percebi, estava sentindo tanto,
que olhei-me no espelho e meus olhos,
aos prantos, me pediram pra parar.
-A vida foi feita pra sorrir, não pra chorar - gritaram!
-As lágrimas são um acidente (necessário),
usado pra podermos, todo dia, voltar a sorrir e a sonhar!
Então cessa! ou morreremos afogados em tanta tristeza e pesar,
e jamais verá novamente a incondicional beleza 
                                            de um amor nascer
nem sentirá a urgência da paixão chegar,
nem o prazer e o tesão de se despir e se entregar!

Pois que parei. 
Enxuguei meu corpo,
embebedei minha´lma
embebi teu corpo em poesia e ateei fogo
me fiz a regra, a trapaça, e o jogo, 
como um todo, fez-me vencedor!

Então, calma! pois tudo que sobra
                               tudo que falta
                              tudo que brilha
                            e tudo que mata,
depois dessa longa noite,
vem do perfume, puro e devasso,

                                     do amor... 

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